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Alceu Valença

SESC Sorocaba apresenta – Alceu Valença
Quinta  19/07 – 20 horas
Local: Parque dos Espanhóis Rua Campos Salles, s/nº – Vila Assis


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Ciranda Mourisca

Novo Álbum do cantor pernambucano reúne obras desconhecidas de seu cancioneiro, com timbres acústicos e influência do Oriente.

Cantando no Banheiro – Alceu Valença – Maria dos Santosa
Por Júlio Moura

Além das tardes tão azuis pelas quais esperamos o ano inteiro, a temporada musical de 2009 começa com um álbum que os admiradores de ALCEU VALENÇA aguardariam por intermináveis verões. CIRANDA MOURISCA, seu primeiro disco na Biscoito Fino, reúne doze músicas – todas autorais – em versões que explicitam a influência das sonoridades árabes emanadas pelo Brasil.

Alceu interpreta canções compostas em 35 anos de carreira, que assumem clima acústico, com leve toque oriental e aquela força mística que a canção popular é capaz de inspirar. Algumas foram naturalmente se agregando ao que Alceu chama de “irmandade entre as canções”: “Busquei um conceito sonoro e poético, de uma maneira leve e transparente. Pesquisei minha discografia e descobri que várias canções haviam passado despercebidas na época em que foram lançadas. São músicas consideradas Lado B, que não chegaram a tocar no rádio”, explica Alceu.

É o caso de Pétalas, Amor que vai, Maracajá (compostas para o disco “Maracatu, Batuques e Ladeiras”, de 1994); Dia Branco, Molhado de suor, Mensageira dos anjos, Dente de Oriente (do LP “Molhado de suor”, 1974); Chuva de Cajus, Sino de Ouro (de “Estação da Luz”, 1985), Íris (“Leque Moleque”, 1987), Loa de Lisboa (Andar, Andar, 1990). “Parti da Ciranda da Rosa Vermelha, lançada por Elba, que eu jamais havia gravado. Percebi que algumas canções antigas poderiam assumir o conceito das cirandas. Busquei uma harmonização instrumental leve, com violas que remetem à música moura, ao Nordeste Ibérico. Cirandas são aboios litorâneos, é música de beira de praia”, situa.

Não por acaso, foi junto do mar que a música arrebatou Alceu para sempre: “A música já estava presente através de Luiz Gonzaga, que tocava nos auto-falantes de minha cidade. Escutava os cantadores, meus tios tocavam Noel Rosa e Dorival Caymmi, mas eu ouvia aquilo tudo sem grande envolvimento. Quando visitei Olinda pela primeira vez, escutei os cantos mediterrâneos e medievais dos mosteiros e fiquei deslumbrado ao ver o mar. A vida ganhou nova perspectiva quando descobri que o mar era maior que o açude de São Bento do Una. Foi um debruçar poético sobre o mundo” – descortina Alceu.

A poesia é viés marcante no disco. A correlação entre o regional e o cosmopolita remete a Fernando Pessoa, quando o poeta português compara o Tejo com o rio que corre por sua aldeia, e se estende à letra de “Loa de Lisboa”: “Tinha um amigo brasileiro em Lisboa, o Duda Gaines, que morava na rua da Mãe d´Água ao pé da Praça da Alegria. Disse a ele: quero comprar o nome da sua rua. Fui ouvir fados no Bairro da Mouraria e na volta fiz a canção enquanto caminhava pela chuva” – recorda. “Antes de me tornar músico, eu era poeta. Sempre tive atração pela língua portuguesa. Penso muito rápido e a palavra escrita atenua a velocidade do pensamento”, compara o compositor, que atuou como jornalista em Recife, no início dos anos 70, e teve seus poemas publicados em cadernos literários locais.

Outros poetas. O anjo torto de Carlos Drummond de Andrade desce ao som do Maracatu em “Maracajá”. E São Jorge Amado redime o ódio dos abandonados, em “Chuva de Cajus”. Diz Alceu: “Esta canção também é dedicada ao escritor pernambucano Renato Carneiro Campos, tão louco por caju quanto eu. Suas crônicas estão inseridas implicitamente na letra, junto com as referências a Jorge. Os pastores da noite são os capitães de areia. Gosto de ver o disco como um filme. Se em “Chuva de Cajus” o amor virá no verão, a canção seguinte, “Amor que vai”, é um galope à beira-mar que mostra que os amores vão e vem” – relaciona.

Além da poesia, há o cinema. Alceu estrelou, como ator, o filme “A noite do Espantalho”, em 1974, e logo depois compôs “Molhado de suor”. Atualmente, prepara seu primeiro filme como diretor, “Cordel Virtual”, com início das filmagens previsto ainda para 2009. “La Belle de Jour”, clássico de Luis Buñuel, título de um dos maiores sucessos de Alceu, e “Anjo azul”, dos primórdios do cinema alemão da década de 20, são citados em “Maracajá”. A doce bailarina de vestido azul, entretanto, não é Catherine Deneuve nem Marlene Dietrich: “Fiz esta música para Ana de Amsterdam, uma holandesa que dançava nos Quatro Cantos de Olinda, completamente lisérgica, nos anos 70. As pessoas andavam pintadas, fantasiadas. O clima era hippie, vivíamos cercados de bailarinas…”, ambienta Alceu.

Os contrastes entre o tradicional e o pós-moderno convivem de maneira complementar na Ciranda de Alceu. Temas como “Íris”, “Dia branco” e “Sino de ouro” reforçam o elo com o Brasil profundo enquanto o manifesto de “Dente de ocidente” combate as transformações motivadas pela ganância das multinacionais: “A influência americana tomava conta de tudo, inclusive das praias, das cidades, de nossa herança mourisca, lusitana. Teve um prefeito de Recife que devastou as casas do século XVI do bairro de São José para fazer uma avenida vazia, em nome do progresso. A cultura do descartável é um dente de ocidente vomitado pelo mar” – regurgita.

O verão é cenário recorrente nas criações de Alceu Valença. Em “Pétalas”, a canção que abre o disco, ele se impõe entre flores, borboletas e as cores vivas da estação: “Todo verão eu saio para a praia. Gosto de ver os flamboyants e os bouganvilles, tudo floresce e Olinda fica cheia de pétalas”. Há que se ter uma rosa no verão da ciranda: “Como a “Rosa Vermelha” foi o ponto de partida, optei por encerrar o álbum com ela. O fim é uma nova partida e a última música se relaciona diretamente com a primeira. É um disco circular, em fusão”, sentencia.

Palavras de um poeta inquieto que jamais deixou sua música descaracterizar-se diante das pressões do mercado. Alceu Valença desenvolveu uma fórmula própria a partir de suas seculares referências e mantém-se fiel a ela. Concessões, somente às tardes tão azuis de infindáveis verões enquanto chove sobre a Mouraria por cima da cidade alta.

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